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ACURI, A PALMEIRA DOS ÍNDIOS GUATÓ:
UMA PERSPECTIVA ARQUEOLÓGICA

Jorge Eremites de Olivera*

Resumo

A palmeira acuri (Scheelea phalerata Mart.) é uma das principais espécies vegetais usadas tradicionalmente pelos índios Guató. Há casos, inclusive, em que esta palmeira pode ser indicador de manejo ambiental, do ato de transplantá-la para seus assentamentos; esta informação é de grande relevância para a compreensão da pré-história das áreas inundáveis do Pantanal, pois em Arqueologia as interpretações teóricas são baseadas em modelos etnográficos.

Resumen

Acuri, la Palmera de los Indios Guató: Una Perspectiva Arqueológica. La palmera acuri (Scheelea phalerata Mart.) es una de las principales especies vegetales usadas tradicionalmente por los indios Guató. Hay casos además de que esta palmera puede ser indicativo de manejo medioambiental, del acto de trasplantarla para sus asentamientos; esta información es de gran relevancia para la comprensión de la prehistoria de las áreas inundadas del Pantanal, porque en Arqueología las interpretaciones teóricas están basadas en modelos etnográficos.

Résumé

Acuri, le Palmier de l'Indien Guató: Une Approche Archéologique<. Le palmier acuri (Scheelea phalerata Mart.) est l'espèce végétale la plus traditionnellement utilisée par l'Indien Guató. De plus, il y a des cas où ce palmier peut être indicatif de manutention de l'environnement, puisqu'il était transplanté dans les endroits où ils se sont fixés et assis; cette information est très significative pour la compréhension de la préhistoire des terres inondables du Pantanal, parce que, en archéologie, les interprétations théoriques se basent sur des modéles éthnographiques.

Abstract

Acuri, the Palm Tree of the Guató Indian: An Archaeological Perspective. The acuri palm tree (Scheelea phalerata Mart.) is one of the main vegetable species used traditionally by Guató Indian. There are cases, besides, in which this palm tree can be indicative of environmental handling, of the act of transplanting it for their settlements; this information is of great relevance for the understanding of the prehistory of the flooded areas of the Pantanal, because in Archaeology the theoretical interpretations are based on ethnographic models.


Considerações Iniciais

"A viola de ximbuva.
Eu nunca mais mexi.
Está num canto abandonada.
No meu ranchinho de yacori".
(Indiazinha - Zé do Mato & Zé do Rancho)

Em Indiazinha, rasqueado da dupla Zé do Mato & Zé do Rancho, interpretado por Maciel Corrêa (1997), um dos grandes nomes da música sul-matogrossense, percebe-se que a palmeira acuri é bastante conhecida regionalmente, embora praticamente nada se saiba sobre sua utilização por populações indígenas e populações tradicionais no Brasil. O trabalho Palmeiras brasileiras (Arecaceae): pequena bibliografia comprova o que estou falando (ver Paiva, 1999a, 1999b, 1999c). Por este e outros motivos, resolvi tratar deste assunto a partir de dados sistematicamente recolhidos sobre o uso tradicional da acuri pelos índios Guató.

Antes de mais nada, quero aqui apresentar um pequeno esclarecimento:

"O nome palmeira é dado a todas as plantas pertencentes à família das Palmáceas. O povo distingue entre "palmeira" e "coqueiro" segundo a planta produz frutos comestíveis ou utilitários industrialmente". (Corrêa, 1984:334)

A maioria dos dados primários aqui analisados, foi encontrada em fontes textuais de interesse à etnologia e à etnoistória Guató, com destaque para as publicações do etnólogo alemão Max Schmidt (1914, 1942, 1951 [1974]). Alguns dados, porém, foram obtidos em 1997 e 1998 durante a realização de pesquisas arqueológicas e etnoarqueológicas junto a duas famílias Guató que vivem ao sul da sub-região de Poconé, em Mato Grosso, próximo à divisa com Mato Grosso do Sul. Acrescentam-se ainda as informações obtidas no âmbito do projeto Diagnóstico Sócio-ambiental da Área Indígena Guató - Ilha Ínsua, desenvolvido pela Ecologia & Ação(ECOA), uma ONG ambientalista, e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) (ver Bortolotto & Damasceno Jr., 1998; Oliveira, 1998).

O propósito deste trabalho é discutir sobre a forma tradicional de uso da palmeira acuri, iacori ou bacuri (Scheelea phalerata Mart.) pelos índios Guató, que a denominam midjí, bem como sobre a questão da interferência de populações indígenas pretéritas na distribuição desta palmácea pela região pantaneira, sobretudo em locais onde ocorrem sítios arqueológicos. Esta perspectiva não implica, todavia, em afirmar que a acuri é uma espécie domesticada, isto é, que sua reprodução dependa da intervenção humana direta, a exemplo do que ocorre com mandiocas (Manihot spp.), milhos (Zea spp.) e bananas (Musa spp.). Implica, por outro lado, em considerá-la como uma espécie semidomesticada, ou seja, transplantada de um lugar para outro, conforme definição de Darrell Posey:

"Emprego o termo "semidomesticada" para indicar plantas que são intencionalmente manipuladas pelos índios, os quais conscientemente modificam o habitat do vegetal para estimular-lhe o crescimento. As conseqüências genéticas deste processo são ainda desconhecidas, mas merecem ser estudadas em profundidade". (Posey, 1987:175)

Nesta perspectiva, cabe explicar que pesquisas arqueológicas têm comprovado a presença indígena no Pantanal desde, ao menos, 8.200 anos atrás (cf. Oliveira, 1997; Oliveira & Viana, 2000; Schmitz et al., 1998). Além disso, na primeira metade do século 16, momento do início da Conquista Ibérica da região platina, o Pantanal apresentava-se como um extraordinário mosaico cultural, provável área de confluência para onde grupos agricultores e ceramistas deslocaram-se desde o período pré-histórico. Isto significa que a região foi habitada por diferentes grupos étnicos, cujo modo de vida também esteve intimamente relacionado aos recursos naturais ali existentes. Esta constatação comprova, principalmente àqueles que pensam ingenuamente que os índios são desprovidos de qualquer capacidade criativa, que etnias ameríndias também desenvolveram complexas estratégias de utilização dos recursos naturais existentes nos ecossistemas pantaneiros, explorando-os através da pesca, caça, coleta e formas de manejo ambiental, das quais ainda pouco ou praticamente nada se conhece em profundidade. Daí a relevância da realização de pesquisas nos campos da antropologia ecológica, arqueologia, etnoarqueologia e etnobotânica, dentre outros, para uma melhor compreensão de temáticas referentes às relações entre sociedades indígenas e meio ambiente. Ademais, como bem diz Berta Ribeiro:

"A historiografia brasileira desconhece, praticamente, a imensa contribuição do aborígene americano no que se refere a práticas de conseqüências genéticas na domesticação de plantas". (Ribeiro, 1987:34)

O uso de palmeiras por populações ameríndias é um tema que grosso modo está razoavelmente reconhecido pela etnologia, haja vista que, segundo Lévi-Strauss (1987) e Ribeiro (1995), diversas espécies tiveram ¾ algumas ainda têm ¾ papel importante em várias culturas nativas. E mais:

"La família Palmae es una de las mayores unidades taxonómicas, extendidas por los cinco continentes, con la mitad de las 2000 taxa en el Neotrópico. Numerosas tribus han contribuido eficazmente a la difusión continental de las más útiles de estas". (Brücher, 1988:240)

Ainda sobre este assunto, Berta Ribeiro faz o seguinte esclarecimento:

"Silvestres ou domesticadas, diversas espécies de palmeiras representam substancial fonte alimentar para os aborígenes, seja o fruto, o palmito, a castanha ¾ da qual se faz azeite para comer, para iluminação, para repelir insetos ¾; seja para a cobertura das casas, para trançar cestos, esteiras; seja a fibra mais fina para fio e tecido; ou, finalmente, a madeira para inúmeros fins". (Ribeiro, 1995:203)

De momento, tendo em vista que os Guató ainda são pouco conhecidos na literatura etnológica, cabe esclarecer que eles constituem um grupo étnico diretamente filiado ao tronco lingüístico Macro-Jê. Encontram-se estabelecidos no Pantanal há mais de 500 anos; a primeira referência textual sobre eles consta nos relatos do conquistador espanhol Alvar Ñunez Cabeza de Vaca (1984) que ali esteve em 1543. Ficaram conhecidos como índios canoeiros devido ao fato de sua mobilidade espacial depender, quase que exclusivamente, da utilização da canoa como meio de transporte. Tradicionalmente organizam-se em um provável sistema de patrilocalidade baseado em famílias nucleares autônomas (independentes umas das outras). Sua área de ocupação limita-se exclusivamente à região do Pantanal, aproximadamente entre os paralelos de 16º30’ a 21º00’ e os meridianos de 56º30’ a 58º30’ de longitude Oeste de Greenwich, em especial o curso principal do rio Paraguai, rio Paraguai-Mirim, rio Alegre, rio Caracará, canal D. Pedro II, lagoas Gaíva e Uberaba, morraria dos Dourados, serra do Amolar e Ilha Ínsua, via de regra em locais associados diretamente a cursos d’água permanentes que ocorrem na planície de inundação (Oliveira, 1996). Na Noticia sobre os Indios de Matto-Grosso, escrita em 2/12/1848 por Joaquim Alves Ferreira, Diretor Geral dos Índios da então Província, há uma interessante descrição etnográfica dos Guató que corrobora as idéias aqui apresentadas:

"Os Guatós diferem dos seus conterrâneos por uma circunstância essencial: a de viverem, por assim dizer-se, sobre água. Avalia-se em 500 o numero total deles. Habitam o rio Paraguai e as adjacentes lagoas desde a boca superior do Paraguai Mirim até um pouco abaixo do Descalvado. Encontram-se também no rio S. Lourenço até a foz do Cuiabá; e na estação das águas vagueiam embarcados pelos campos, inundados pelas águas transbordadas dos rios. As famílias vivem isoladas ou reunidas em pequenos grupos; constróem com alguns delgados paus e folhas de palmeiras [acuri] pequenos e baixos ranchos, apenas suficientes para abrigá-los do sol e da chuva". (Ferreira, 1914 [1848]:90)

A Questão do Manejo Ambiental

"A projeção histórica das atividades de manejo ambiental em direção ao passado, numa dimensão temporal que deve ultrapassar um período de 2.000 anos, considerando seu imenso território de domínio e a quantidade de espécies correntemente utilizadas, é uma prova de que os Guarani contribuíram positivamente na alteração fitogeográfica e na biodiversidade do sul do Brasil e adjacências". (Noelli, 1998:293)

Uma das questões menos conhecidas na Arqueologia Brasileira diz respeito à interferência das sociedades indígenas nos diversos ecossistemas existentes no país. Para exemplificar esta realidade, pode-se mencionar os conhecidos estudos de Posey (1987) sobre o manejo da floresta secundária, capoeiras, campos e cerrados pelos índios Kayapó. Os recentes aportes de Noelli (1998), por seu turno, também são relevantes para uma compreensão histórica sobre o uso de plantas por índios Guarani, dentre outros assuntos. Para o Pantanal, em função do pouquíssimo que se conhece sobre o assunto, normalmente não há inferências, por parte dos especialistas em botânica, sobre a influência indígena na atual configuração florística da região[1]. Há casos, inclusive, em que as populações indígenas são exageradamente vistas como exóticas.

"A propósito, ainda não descobrimos qual é o "bodjetó" ou "flor-da-cobra", a planta dos Guatós para prolongar o orgasmo, pois a descrição (frutinho vermelho) é vaga demais e não foi guardado um exemplar em herbário!" (Pott & Pott, 1994:15)[2]

É fato, porém, que o Pantanal foi consideravelmente povoado por grupos lingüisticamente Arawak, Guaicuru, Jê, Macro-Jê, Tupi-Guarani e Zamuco (Carvalho, 1992; Oliveira, 1997; Susnik, 1978). Logo, não é de se estranhar que eles também tenham interferido nas paisagens locais ao longo de várias gerações.

A polêmica torna-se maior quando se discute sobre a origem dos aterros que ocorrem na região. Trata-se de sítios arqueológicos que muitas vezes apresentam-se na paisagem como elevações do terreno, total ou parcialmente antrópicas, normalmente em áreas inundáveis e sob aspecto de capões-de-mato e cordilheiras[3], sendo verdadeiras ilhas de vegetação, espécies de mini-refúgios para a fauna e, especialmente no passado, para as populações indígenas. Pesquisas arqueológicas realizadas no âmbito do Projeto Corumbá sugerem que também houve uma influência antrópica na formação dos aterros. Acredita-se que em alguns casos populações indígenas pretéritas contribuíram para a deposição de conchas de moluscos aquáticos e sedimentos sobre antigas elevações do terreno (Oliveira, 1996, 1997; Schmitz, 1997). Mas o que mais interessa aqui é a hipótese de que o homem também contribuiu, através do manejo ambiental, para a formação florística de muitos desses sítios arqueológicos. Neste sentido, vale a pena mencionar que as acuris geralmente estão presentes nos aterros, na maioria das vezes concentradas em suas bordas, como é o caso de dezenas de sítios arqueológicos levantados nas sub-regiões do Abobral, Miranda e Poconé.

"Os capões, nesta sub-região [Abobral], são na sua maioria sítios arqueológicos, com forma circular ou elíptica, tendo sua origem explicada por fenômenos de erosão diferencial em paleodiques fluviais e no manejo pelas populações indígenas". (Damasceno Jr. et al., 1997:5)

Na tentativa de melhor entender o assunto em questão, é interessante saber como os índios Guató explicam a presença de palmeiras acuris em seus aterros ou marraboró ¾ que infelizmente ainda não foram alvo de pesquisas arqueológicas modernas ¾ e como as utilizavam em seu cotidiano. Segundo Schmidt (1942), os Guató lhe disseram em 1901 que eles próprios retiravam mudas desta palmácea de alguns lugares próximos aos aterros e ali as transplantavam; explicaram que seu desenvolvimento é lento e somente após anos se dá a frutificação. A transplantação ocorria principalmente nas bordas dos sítios, em função da necessidade de também proteger os aterros da ação das águas durante as cheias periódicas, a fim de que os mesmos não fossem erodidos. É claro que tais informações devem ser relativizadas quanto à tentativa de interpretar a presença da acuri em todos os aterros que ocorrem no Pantanal, pois esta questão também envolve realidades fitossociológicas complexas. O fato é que tais informações também foram confirmadas através de informações orais registradas por Oliveira (1996), sendo comparadas com fontes de natureza diversa como dados etnográficos e iconográficos contidos na literatura etnológica e em documentos históricos. De qualquer maneira, a explicação dos Guató chama a atenção para uma visão êmica significativamente lógica do ponto de vista da engenharia dos aterros. Ademais, transplantar mudas de acuri para os aterros também atesta o interesse em estimular o crescimento dessas palmeiras em um local onde o solo é mais fértil.

"Uno de los métodos más primitivos para crear artificialmente un suelo fértil consiste en la aplicación de tierra fértil sobre el suelo destinado para el cultivo, que es de por sí estéril y, por eso, no cubierto de vegetación tupida. Para esta clase de agricultura he elegido el nombre de "cultivo con mounds" (montículos), pues por la aplicación repetida de tierra fértil se producen pequeños montículos artificiales que son llamados en América del Norte, por lo general, "mounds". En la región panatanosa de la desembocadura del Rio S. Lourenço en el Alto Paraguay y especialmente en los sitios al lado del pequeño rio Caracará que es un brazo del Rio S. Lourenço inferior, tuve oportunidad de encontrar y examinar tales montículos que se llaman ahi "aterrados" y que hasta hoy día son empleados por los indios Guató para plantaciones y especialmente para el cultivo de la palma acurí. (...). En lo que respecta a estos aterrados se trata de lugares en pántanos, por su naturaleza ya elevados que han sido cubiertos de medio metro de mantillo humífero extraido de partes bajas y pantanosas. Como el desgaste de la tierra por la plantación exige la aplicación repetida de siempre nuevas capas de mantillo, estos aterrados bastante extensos no han sido levantados sino poco a poco y eso aclara mejor la distribución de la tierra por varias capas. Aun hoy día los Guató viven durante la época de la obtención del jugo de las palmas acurí, plantadas en los aterrados y aun hoy ellos entierran ahí a sus muertos, lo que explica de por sí el aparecer de esqueletos humanos y de residuos de objetos de cultura en estos aterrados". (Schmidt, 1951:246)

Diante dos dados apresentados, torna-se pertinente a idéia de que a presença da palmeira acuri em muitos aterros, bem como em outros tipos de sítios arqueológicos encontrados na região, pode ser explicada como sendo o resultado de um conjunto de fatores de ordem natural e antrópica, dentre os quais o manejo ambiental. Esta hipótese possui maior segurança para o caso dos aterros ocupados pelos Guató na região do Caracará. São assentamentos que serviram de verdadeiros quintais (home gardens), locais para onde também transplantavam mudas de acuri, laboratórios para a realização de experimentos de formas de manejo e cultivo, dentre outras formas de seleção genética de vegetais. Ou nas palavras de Eduardo Neves:

"O quintal seria o espaço de experimentação e aperfeiçoamento das espécies e, a partir daí, teriam se desenvolvido outras formas de cultivo, como as roças, onde o plantio é mais importante que o transplante de mudas". (Neves, 1995:183)

A Utilização da Palmeira Acuri

"Yo soy un hombre sincero
De onde cresce la palma
Yo sou un hombre sincero
De onde cresce la palma
Y antes de morirme queiro
Cantar mis versos del alma"

(Guantanamera J. Marti, J. Fernandez & A. Angulo)

Palmeiras à parte, em Guantanamera, canção muitíssimo conhecida na América Latina, a situação dos descendentes do índio Caetano, aqueles que são os últimos argonautas do Caracará, está razoavelmente retratada: a idade avançada e as dificuldades advindas do contato com a sociedade nacional fizeram com que José, Veridiano, Júlia e Vicente sejam atualmente os últimos canoeiros autênticos nascidos naquela região, lugar onde Max Schmidt esteve em 1910 e tomou nota de muitos dos dados aqui utilizados. Infelizmente, José faleceu em fins de 1999.

Além do uso da palmeira acuri para proteger os aterros da ação das águas, os Guató a utilizavam de várias outras maneiras. No que diz respeito à subsistência das famílias, dela era produzida uma bebida chamada mukudá, um tipo de cerveja de acuri feita da seguinte forma:

"Cada família possuía o seu próprio depósito de palmeiras. Uma picada estreita e muito sinuosa nos guiava até lá. Prepara-se a acuri de tal maneira que as folhas maiores se dobram para baixo. Na base superior do tronco, escava-se, por meio de uma concha ou de um pedacinho de ferro, um orifício, onde se ajunta a seiva. A bebida leitosa e de bom sabor é sorvida no tronco por meio de um canudo. Dizem que pela manhã ela ainda é mais embriagadora do que à noite. Isto se explica pelo fato de, durante a noite, o líquido completar a fermentação. Todo dia é preciso consumir toda a produção, porque do contrário o resto no orifício apodreceria, prejudicando a árvore. Logo que o buraco é esvaziado, à noite, procede-se a nova escavação, pelo que fica sempre mais fundo. Cheguei a ver buracos até 30 cm de fundo. Logo que as chuvas se intensificam, cessa o hábito de beber a tchitcha [chicha]. Naturalmente as palmeiras, roubadas em sua seiva, acabavam morrendo". (Schmidt, 1942:122-123)

A produção dessa bebida, cujo sabor pode agradar índios e não-índios, leva a palmeira à morte. Com isto, torna-se necessário transplantar uma muda para o seu lugar, ou deixar que algumas sementes germinem naturalmente a partir das plantas que existam nas proximidades e aguardar alguns anos para sua frutificação. O taxidermista Estanislao Pryjemski (apud Ramires 1987:46) fez a seguinte observação sobre o uso das acuris: É comum ver perto de um acampamento guató todas as palmeiras em redor descabeçadas, esgotadas, mortas. Desta forma, verifica-se que a produção deste tipo de bebida não deveria ser algo muito intenso, ao menos antes do contato com os não-índios, devido aos prejuízos posteriores oriundos da morte de muitas acuris. Os Guató também utilizavam em sua alimentação, embora talvez com pouca freqüência, o palmito e a amêndoa dos frutos (rica em óleo graxo) que, acompanhados com alguma carne, geralmente eram preparados sob forma de ensopados gordurosos. Interessante é que, ainda hoje em dia, populações ribeirinhas do Pantanal, a exemplo dos mimoseanos, utilizam a amêndoa da acuri como alimento (Silva & Silva, 1995). Este é um típico exemplo de que parte do conhecimento etnobotânico das populações indígenas foi assimilado por populações tradicionais da região, pois elas também descendem das primeiras.

Figura 1. Família Guató em sua casa tradicional. Pintura feita

por H. Florence em dezembro de 1826 (Monteiro & Kaz, 1988).

A pintura de Hercules Florence, que participou da Expedição Langsdorff, apresenta vários detalhes sobre a cultura material Guató. No caso, a família retratada morava à margem direita do rio São Lourenço, próximo ao morro do Caracará e à confluência com o Paraguai. Notam-se importantes informações sobre o uso da palmeira acuri por esses índios: há uma grande palmeira atrás da família; palmas foram usadas na cobertura da casa e como matéria-prima para a fabricação de dois cestos e uma esteira de dormir situados no interior da mesma (ver Figuras 2, 3 e 4). Há ainda palmas de acuri no interior da casa, o que sugere material para a fabricação de artefatos, já que tradicionalmente os Guató dormem sobre esteiras ou peles de animais. Segundo Costa et al. (1995:84): A família aqui retratada morava às margens do rio São Lourenço e, a convite do Barão de Langsdorff, acompanhou a expedição até Cuiabá; no seu retorno foi chacinada pelos Guaná. Quando os Guató ficaram sabendo do ocorrido, vingaram a morte desta família, episódio este narrado por Florence (1977).

Recentemente, observei os irmãos José e Veridiano, que vivem na encosta norte do Morro do Caracará, local onde ocorre um grande sítio cerâmico a céu aberto (MT-PO-03), preparar um tipo de massa para a pesca de pequenos peixes que serviram de isca para a pesca de outros maiores, como a piranha (Pygocentrus nattereri). Eles coletaram frutos maduros de algumas acuris existentes a poucos metros de distância de sua casa e os colocaram diretamente sobre as brasas de um fogão feito com pedras delimitadoras. Após alguns minutos, os frutos estavam assados e a sua casca foi facilmente retirada com as mãos. Em seguida, retiraram a polpa utilizando uma pequena faca e a amassaram por alguns minutos até dar consistência à massa; os cocos sem a polpa foram jogados próximos ao fogão e posteriormente varridos para algumas lixeiras que ocorrem em volta da casa. Eles me explicaram que essa massa pode servir para a pesca de pacu (Piaractus mesopotamicus), especialmente quando da falta de frutos maduros de tucum (Bactris glaucescens), a principal isca utilizada para a pesca desta espécie. Logo, a própria polpa do fruto maduro da acuri pode servir à alimentação humana. Pott & Pott (1994) mencionam que a polpa possui magnésio (0,19%), cobre (10 ppm), outros minerais e proteína (3% PB).

Atualmente, face à idade avançada de José e Veridiano, associada ao contato com a sociedade nacional e à ausência de pressão demográfica na área onde vivem, eles não mais fazem manejo da acuri, nem sequer produzem a famosa mukudá ou utilizam o palmito, embora usem as palmas em pequenos reparos feitos nas paredes de sua casa, já que a cobertura atualmente é feita com telhas de zinco. No entanto, todas as informações orais deles recebidas vão ao encontro dos dados apresentados por Max Schmidt, pois no passado praticaram ou testemunharam várias formas de uso da acuri. Situação semelhante foi registrada por Balick (1988) entre os Apinayé e Guajajara.

Figura 2. Desenho da casa tradicional dos Guató (Schmidt, 1914).

No contexto da cultura material dos Guató, as palmas e as fibras dos cachos eram de grande importância para a fabricação de cordoaria, trançados e tecelagem, tais como esteiras de dormir, abanos para fogo, abanos contra mosquitos, cestos e chapéus. Até hoje em dia, como pode ser observado na Ilha Ínsua (Bortolotto & Damasceno Jr., 1998; Oliveira, 1998), as palmas de acuri continuam servindo para a cobertura das casas, tradicionalmente com um telhado tipo duas-águas (ver Figura 1). As palmeiras também serviam para pendurar artefatos diversos, como arcos, flechas, cuias de cabaças e outros. Além disso, locais com grande concentração de palmeiras acuri, assim como de tucum e carandá (Copernicia alba), funcionavam como verdadeiras cevas naturais para determinadas espécies de peixes, como o próprio pacu, tradicionalmente pescado com arco e flecha (Oliveira, 1996). Também não se pode descartar a possibilidade da caça de quintal (Moran, 1994), atividade na qual os aterros com grande quantidade de acuris poderiam funcionar como locais de atração de caça, principalmente de animais que se alimentam dos frutos da palmeira. A informação abaixo ilustra um pouco esta hipótese: Fruto [da acuri] é importante alimento de roedores (p. ex. cotia), gado, porco, caititu, queixada, araras e periquitos, todos dispersores. Jaó e mutum também o comem (Pott & Pott, 1994:233).

    

Figura 3. Abano para fogo e cesto cargueiro Guató (Schmidt, 1942).

Figura 4. Esteira de dormir Guató (Schmidt, 1942).

Outra questão interessante refere-se à grande concentração de acuris e de outras espécies arbóreas em assentamentos Guató, como é o caso de seus aterros, o que propicia um tipo de microclima: durante o verão a temperatura local é mais amena e durante o inverno é mais quente (proteção contra o chamado vento sul).

Em geral, cada família possuía seu próprio depósito de palmeiras (Schmidt, 1942:122). Muitas vezes houve conflitos entre as famílias pela disputa de áreas com maior concentração de acuris, a exemplo da região abrangida pelo rio Caracará, o que atesta sua importância para a subsistência do grupo. Ter áreas com grande quantidade de acuris era questão de status e de sobrevivência para esses índios. Schmidt (1912) chamou os aterros do Caracará de lugares de descanso dos Guató.

"Na versão de meu principal guia, o cacique Caetano [pai de José e Veridiano], havia duas regiões com Guatós no rio Caracará, uma na parte inferior e outro na superior. Ainda em idade mais primitiva havia entre as duas localidades brigas (guerras) pela posse de certos aterrados [aterros] e estas somente terminaram com o recuar da região superior do rio". (Schmidt, 1914:267)

Os aterros pertenciam às famílias e eram transmitidos aos seus descendentes. Quando abandonados durante a cheia, período em que as famílias possuíam grande mobilidade espacial, esses lugares poderiam ser momentaneamente ocupados por outras famílias, em geral por uma noite de descanso no decorrer de uma longa viagem.

"Usados por estes para se alimentarem, pernoitarem etc. Esses lugares se encontram numa elevação e são uma proteção contra a umidade, havendo uma concentração de árvores das quais é retirada a lenha para fogo. Existem aí restos das caçadas, restos de antigas redes e de potes quebrados. Também era possível encontrar uma ou duas cabanas improvisadas para o abrigo contra um dia de chuva". (Schmidt, 1912:135)

Por tudo o quanto foi explicado, nota-se que o exemplo da utilização da palmeira acuri pelos índios Guató contribui para elucidar a complexidade que envolve a atual configuração florística do Pantanal, especialmente a da planície de inundação. Neste sentido, estudos envolvendo especialistas de várias áreas do conhecimento (arqueologia, etnobotânica, etnografia, palinologia etc.) poderão contribuir para um conhecimento mais apurado do meio ambiente local, tendo em vista que nem tudo o que se apresenta como natural de fato o é. Seguindo este raciocínio, o conhecimento das populações indígenas da região é questão fundamental para compreender as atuais configurações florísticas ali existentes.

Considerações Finais

"Tem quatro teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um
poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores uma assimilação maior de horizontes".
(Barros, 1998:43)

Assim como é tarefa árdua analisar um poema de Manoel de Barros (1998), pantaneiro considerado um dos maiores poetas vivos do Brasil, penso que também será árdua, embora igualmente fascinante, a tarefa daquele que se interessar por etnobotânica Guató. Na verdade, pouquíssimo sabemos sobre o uso tradicional de plantas por esses índios e, provavelmente, jamais conheceremos por completo este extraordinário universo. Todavia, uma questão está bastante clara sobre o assunto aqui tratado: a presença da palmeira acuri em aterros comprovadamente Guató também é um indicador de manejo ambiental, de uma estratégia de adaptação ecológica, isto é, uma forma de interferência direta do homem na paisagem local com o propósito de favorecer sua própria sobrevivência. Trata-se, portanto, de uma das espécies vegetais mais importantes para a subsistência tradicional do grupo e enquadra-se em várias etnocategorias, sendo uma palmácea de valor multi-uso no modo de ser tradicional dos Guató. Este exemplo etnográfico é uma das variáveis que devem ser consideradas nos demais aterros que ocorrem no Pantanal, como é o caso das sub-regiões do Abobral, Miranda e Poconé. Também é um exemplo do quanto ignoramos sobre os conhecimentos botânicos das populações ameríndias.

Com efeito, torna-se necessário ressaltar que não se deve incorrer no erro de realizar uma analogia direta entre o modelo de adaptação Guató e os demais grupos ceramistas que ocuparam os aterros da região em tempos anteriores à Conquista Ibérica. Isto não significa dizer que um modelo etnográfico não possa servir para a interpretação do passado arqueológico; as contribuições da Nova Arqueologia, por exemplo, são provas concretas desta possibilidade. Nesta linha de pensamento, áreas com concentrações de acuris podem ser levadas em conta como uma variável em trabalhos de levantamento probabilístico de sítios arqueológicos no Pantanal.

Finalmente, quero dizer que o aprofundamento dessa questão requer a realização de pesquisas interdisciplinares com o objetivo de inferir acerca da relação existente entre as sociedades indígenas e os ecossistemas pantaneiros, questão esta que requer a participação de especialistas de várias áreas, como arqueólogos, etnólogos e botânicos. Todavia, ao meu ver, não é mais cabível ignorar que populações indígenas também contribuíram para a distribuição da palmeira acuri pelo Pantanal; delas, os Guató são apenas os últimos representantes de todos os grupos canoeiros que se estabeleceram nas áreas inundáveis, não somente do Pantanal, como também de toda a bacia platina.

Bibliografia

Balick, M. J.

1988 "The Use of Palms by the Apinayé and Guajajara Indians of Northeastern Brazil", Advances in Economic Botany, New York, 6: 65-90.

Barros, M. de

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NOTAS

* Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Campus de Dourados, Brasil (eremites@zaz.com.br).

[1] O pioneirismo de Bortolotto e Damasceno Jr. (1998) é exceção à regra e gera expectativas de um maior conhecimento deste assunto, caso, é claro, suas pesquisas tenham continuidade.

[2] Informação recolhida por Estanislao Pryjemski e publicada em Ramires (1987:45). Durante meus trabalhos de campo também não consegui nenhuma informação sobre esta planta.

[3] Capões-de-mato podem ser entendidos como porções de cerrado e/ou mata ciliar com formato elíptico ou circular, formando ilhas arbóreas nos campos; cordilheiras, por sua vez, são pequenas elevações de terra com 1 a 3 metros acima do relevo adjacente, composta por vegetação de cerrado, cerradão e mata (Francischini, 1996). Ambos são locais ricos em cálcio devido à ocorrência de moluscos aquáticos e lentes calcárias em muitos desses locais.

 

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